Quando o Plano de Saúde é viável?

Atualizado: 2 de mai.

Nesse artigo vamos conversar sobre a viabilidade de se pagar pela assistência médica mensal, a que chamamos de Plano de Saúde. Quando ele é interessante de se ter e o pensamento alternativo sobre essa questão polêmica. Acompanhe comigo.

É um fato conhecido que, no Brasil, temos a "duplicidade de gastos" no que tange à saúde e educação. Pagamos nossos impostos para que possamos ter essas duas áreas atendidas, mas por uma série de fatores acabamos por ter esses serviços em uma qualidade muito aquém do que seria o esperado, o que nos leva a ter que pagar mais ainda pelos mesmos serviços. E nisso está o gasto com saúde, que pagamos em forma dos diversos Planos de Saúde. Mas será que fazer esse gasto (que já não é tão barato) é sempre viável e interessante?

Para adentrar na análise, temos que ver essa questão sob dois aspectos: o psicológico e o financeiro. Psicologicamente, é muito bom poder contar com a segurança de que caso precise de um atendimento médico seremos atendidos de forma mais eficiente e célere. Financeiramente, já não se pode dizer que essa sensação de segurança seja uma das mais acertadas decisões. Calma, não precisa ficar chateado e sair do site agora por causa dessa ideia, continuemos os argumentos.

Primeiramente, vamos entender que o termo Plano de Saúde deve ser usado para toda uma logística relacionada com a sua saúde, o que vai bem além de apenas pagar uma mensalidade para poder ser atendido em um hospital, clínica ou poder fazer exames pagando um valor menor ou nem pagando nada mais por isso. Então a ideia aqui é agregar no seu Plano de Saúde todas as atividades que vão lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida. Podemos pensar em atividades físicas, atividades de bem-estar e uma boa alimentação. A boa gestão financeira também entra aqui, pois vai lhe dar os benefícios de não ter que preocupar tanto com o dinheiro, levando você não se matar horas e horas para poder ganhar mais um pouco fazendo horas extras no trabalho.

Pensando em todo esse conjunto de elementos que servem para promover a sua saúde podemos partir para a análise financeira da questão. Levando em conta que hoje em dia uma mensalidade de um plano de saúde para um adulto esteja na faixa de R$ 700,00 a R$ 1.000,00, dependendo do seu nível de renda, isso pode comprometer uma parcela grande dela (algumas vezes passando dos 30%). E se você não for uma pessoa que fica doente com tanta frequência e que o máximo que faz é um check-up anual? Esse gasto todo faz sentido para você? Tenho quase certeza que não.

Claro que cada caso é particular, pois há pessoas que realmente precisam de tratamentos constantes e que se fossem pagar de forma avulsa o gasto seria bem maior. Então nesse tipo de caso, é muito viável ter essa cobertura médica de prontidão. Mas a análise é justamente para o grupo de pessoas que está em alta produtividade e que não tem uma saúde fragilizada. Pois, pense comigo na seguinte situação: consideremos que na sua faixa de idade, uma mensalidade de plano de saúde esteja em R$ 800,00. Se você se propor a guardar esse valor, com a finalidade de ser uma reserva para gastos com saúde, em dois meses você terá R$ 1.600,00. Esse valor é mais do que suficiente para fazer uma consulta médica, realizar exames e comprar medicamentos, na maioria dos casos de doenças mais comuns (e outras nem tanto), agora imagine se você passa uns 6 meses sem nem precisar de nenhum procedimento médico (o que acontece com boa parte das pessoas), então você poderia ter R$ 4.800,00 ao seu dispor.

Mas apenas focar em poupar esse valor não é a estratégia mais inteligente, pois como disse anteriormente, você deve focar em gastos que proporcionem uma melhor qualidade em sua saúde, então se usar R$ 500,00 já seria um bom gasto, podendo pagar uma mensalidade de alguma atividade física para ganhar resistência física, melhor condicionamento cardiovascular, prevenir lesões, reforçar as articulações. Além disso poderia pagar sessões de massagem relaxante ou psicoterapia. Além de que poderia consumir mais frutas e alimentos saudáveis. Enfim, a ideia principal é pensar no Plano de Saúde como algo além do que apenas pagar mensalidade para as seguradoras do setor de saúde.

Se parar para analisar o quanto que se gasta anualmente pagando mensalidade de plano de saúde você pode se assustar ao ver que pagou tanto dinheiro e não chegou a usar nem 20% disso tudo. Por isso que financeiramente, se torna bem mais viável investir em qualidade de vida e, paralelamente, guardar parte dos seus recursos para ter uma reserva financeira que possa lhe atender quando for necessário. O foco é cuidar da saúde no presente para não ter tantos problemas futuros. Isso se tratando de seu corpo, como de suas finanças. Mas vale sempre a ressalva de que você deve analisar a sua condição atual. Se for uma pessoa que precise realmente estar sempre amparado pela assistência médica, então faz total sentido o pagamento do Plano de Saúde, agora se não necessita tanto disso, se torna interessante repensar e montar o seu próprio Plano para ter mais saúde.

Para finalizar, há quem defenda que é interessante pagar o plano de saúde pois pode-se utilizar esse gasto como uma despesa dedutível na hora de fazer a declaração de imposto de renda. Bem, isso é algo a ser analisado de forma criteriosa, pois depende do nível de renda da pessoa, mas é inegável que sempre o dinheiro vai valer mais se estiver no seu bolso e não pensar apenas em querer receber uma restituição que não paga nem 15% do que se foi gasto com plano de saúde, em muitos casos, de forma desnecessária.

Espero que tenha gostado da análise financeira sobre o plano de saúde e que saiba tomar a melhor decisão sobre esse gasto, que pode impactar bastante a sua vida financeira. Até mais!


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